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 A autoridade do Evangelho

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VICTOR PASSOS
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MensagemAssunto: A autoridade do Evangelho   Seg Mar 10, 2008 11:40 am

A autoridade do Evangelho

Josué de Freitas

Allan Kardec, por ocasião dos estudos que deram origem ao Evangelho Segundo o Espiritismo, referiu-se ao aspecto moral da doutrina do Cristo, como sendo um ponto comum entre todas as crenças. Disse que o Espiritismo se ocuparia dele para delimitar suas regras de conduta. Para Kardec, nenhuma seita cristã negaria a utilidade desses ensinamentos como fator orientador da vida dos povos. Alguns estudiosos, no entanto, confundiram as palavras do Mestre e passaram a dar exclusivo valor aos ensinamentos morais do Evangelho, desprezando qualquer outro tipo de lição que as Escrituras pudessem conter. Com isso, o Espiritismo acabou prisioneiro de um círculo de idéias fechadas, que limitou sua expansão em termos de conhecimentos.
Hoje, chega a ser abusiva a freqüência com que médiuns, expositores, escritores e articulistas espíritas adaptam ao ensino moral, passagens e situações que nada têm a ver com ele. É preciso, pois, repensar as técnicas de interpretação dos escritos evangélicos, dando a cada coisa seu real valor. Toda orientação moral é bem-vinda, mas será que os Evangelhos encerram somente esse tipo de ensinamento? Ou eles trariam instruções ocultas que devessem ser descobertas a seu tempo para o esclarecimento da humanidade? Eis aí uma fonte inesgotável de pesquisas para os que amam o estudo do Espiritismo.
A autenticidade dos textos


Os Evangelhos são ainda hoje os mais valiosos documentos sobre os fatos que envolveram a vida de Jesus. Neles, podemos encontrar preciosas lições morais, estudadas exaustivamente pelo Codificador do Espiritismo. Porém, qualquer pessoa de bom senso também percebe naqueles escritos a presença de ensinamentos no campo da iniciação ao conhecimento superior e das profecias, estranhos textos nunca explicados à luz da racionalidade.
É muito comum encontrarmos estudiosos fazendo contestações sobre a validade dos documentos evangélicos. Mesmo no movimento espírita existe um bom número de companheiros que não fazem a menor cerimônia em colocar dúvida sobre a autenticidade desses livros ou de algumas de suas passagens. Mas, fundamentadas em quê são feitas essas contestações? A resposta pode parecer absurda, mas na maioria das vezes tudo se fundamenta em meras suposições.
Existem duas vertentes que criticam os Evangelhos. A primeira está localizada dentro dos arraiais espíritas e é constituída de articulistas e escritores. Eles afirmam que algumas passagens teriam sido alteradas segundo os interesses da Igreja Católica. Essas pessoas geralmente possuem preconceitos contra o Catolicismo e não reconhecem o que de bom a Igreja produziu durante todos esses séculos, como a própria história testemunha.
A segunda vertente de críticos é mais recente. Nasceu do pseudocientifismo encontrado na mentalidade de alguns teólogos protestantes norte-americanos, que colocaram em dúvida as palavras e mesmo alguns fatos sobre a vida de Jesus. Segundo dizem, eles não estariam de acordo com os costumes e hábitos da sociedade daquele tempo.
Nós espíritas, aprendemos com Allan Kardec que não se deve aceitar as coisas cegamente. Que a tudo devemos examinar e questionar. Mas até que ponto há questionamento, quando é colocada em dúvida a autenticidade do próprio Evangelho sem uma argumentação racional?
Vejamos, por exemplo, a questão dos textos que teriam sido mexidos. Será que a Igreja manipulou os textos a seu favor? Alguns espíritas afirmam que sim. Daí, perguntamos: qual das passagens foi alterada e onde estão os originais para prová-lo? Tudo fica sem resposta. Ninguém o pode provar, simplesmente porque não existem documentos originais dos Evangelhos.
A Vulgata Latina


As boas cópias que possuímos do Evangelho de Jesus estão conforme a Vulgata Latina, resultado de minucioso estudo feito pelo único santo considerado intelectual pela humanidade: São Jerônimo.
Quem conhece história sabe que antes da Vulgata Latina, os cristãos viviam se desentendendo sobre qual versão do Evangelho seria a mais correta. Havia, segundo as tradições, um número superior a quarenta versões. A confusão era geral, claro.
O papa Damaso I, que administrava a Igreja no ano 380, incumbiu São Jerônimo de codificar os Evangelhos, ou seja, examiná-los, seguindo uma linha de racionalidade, dando-lhes uma definição quanto à autenticidade e mesmo quanto à forma gramatical dos textos. O trabalho do codificador dos Evangelhos durou quase 30 anos e foi de muito sofrimento. Tamanha era a importância da missão que desenvolvia, que o padre foi vítima de terríveis perturbações espirituais. Seu martírio obsessivo é por demais conhecido.
Algumas pessoas pensam que Jerônimo simplesmente se limitou a escolher os Evangelhos que lhe pareceram mais adequados. Isso, porém, não é verdade. O padre leu tudo, revisou os textos, deu-lhes forma compreensível, tudo sem distorcer o estilo de cada autor. Fez mais ou menos a tarefa de Allan Kardec, que além de examinar as mensagens do Alto, dava-lhes um estilo, um sentido de fácil entendimento, constituindo a Codificação Espírita.
Ao terminar a codificação dos Evangelhos, Jerônimo entregou os originais feitos por ele à Igreja. Era a tal Vulgata, palavra latina que significa popular, comum. Desde então, todas as outras versões do Evangelho foram consideradas apócrifas pela Igreja, sem qualquer valor de autenticidade. Crer, pois, em Jesus, nos seus ensinamentos, nos fatos narrados nas Escrituras, sempre foi uma questão de fé. Mais tarde, com o advento do Espiritismo, também de racionalidade.
A Igreja Católica cometeu crimes lamentáveis, é verdade. Mas devemos olhar somente seu lado ruim? Ou não existe nada de bom na influência social e política que exerceu no Ocidente, ao lado do Protestantismo? Perguntemos à história contemporânea e ela nos responderá com toda sinceridade.
Falsos irmãos


As provas materiais de que Jesus tenha existido na Terra são quase que exclusivamente as narrativas dos Evangelhos, mas todos os cristãos creram que ele esteve materialmente no planeta. Nós, espíritas (os modernos cristãos), evidentemente também cremos em Jesus. Do mesmo modo, acreditamos nos Espíritos e nas suas manifestações, não tanto pelas evidências materiais, mas pela racionalidade das idéias que apresentam. Isso nos basta!
Aqueles, pois, que colocam dúvida na autenticidade dos Evangelhos, sem apresentarem um estudo consistente dos fatos, são insensatos. Semeiam a dúvida no coração das pessoas e serão responsabilizados por isso. Os que pretendem separar o Espiritismo do Cristianismo, rompendo seus laços com o Evangelho do Cristo, não são irmãos dignos de crédito. Lembremo-nos que Allan Kardec nos alertou para a existência entre nós dos falsos-irmãos, com nome de espíritas, mas sem a sinceridade deles. Nosso movimento está ligado embrionariamente ao trabalho desenvolvido por Moisés, por Jesus e seus apóstolos. A tarefa foi iniciada por eles e deve ser terminada por nós, espíritas, trabalhadores da última hora.
O fundamento moral de nossa Doutrina é o mesmo de Moisés, de Jesus e de Paulo. Não temos vínculos com o judaísmo, pois os judeus não crêem que Jesus é o Messias. Aqueles que entre nós rejeitam essas raízes, deveriam rever suas posições ou procurar outros rumos. Fundem suas seitas, busquem seus caminhos. Mas não atrapalhem a marcha do Espiritismo, com falsas idéias, vindas por inspiração de uma turba de Espíritos mentirosos que vieram mais para confundir do que para qualquer outra coisa. Que não desvirtuem a função moralizadora da Doutrina entre as criaturas, querendo retirar dela seu vínculo religioso, por puro preconceito.
Procuremos ouvir a opinião dos Espíritos superiores que foram responsáveis pela Terceira Revelação:
"O Espiritismo não é senão a aplicação verdadeira dos princípios da moral ensinada por Jesus, porque não é senão com o objetivo de a fazer por todos compreendida, a fim que por ela todos progridam mais rapidamente, que Deus permite esta universal manifestação do Espírito, vindo nos explicar o que vos parecia obscuro e vos ensinar toda a verdade." - (Luís de França - Revista Espírita, Maio de 1866, O Espiritismo obriga)
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