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 PAIS RIGIDOS

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VICTOR PASSOS
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Localização : PORTUGAL

MensagemAssunto: PAIS RIGIDOS   Ter Mar 04, 2008 11:30 am

João é oficial militar, vem de uma formação policial muito rígida, cujo pai também era militar, e tem três filhos. Educou-os para que nunca deixassem de cumprir as leis e fossem sempre obedientes.

Seu filho mais velho tornou-se químico, casou-se e lhe deu um neto. Sua filha mais nova está se formando em fisioterapia e já tem promessas de emprego, pois se revelou excelente aluna e muito organizada em suas obrigações. O filho do meio foi seu grande problema. Enquanto os outros dois seguiram à risca as orientações paternas, ele, além de não gostar de estudar, sempre foi muito desobediente.

Não raro chegavam queixas diárias do comportamento do filho na escola na qual estudava. Todo ano ele mudava de estabelecimento por conta de sua inadaptação às normas escolares.

Embora com vinte e quatro anos, não conseguira concluir o ensino fundamental. Perdia de ano por falta, por indisciplina e por baixo rendimento escolar. Vivia às turras com o pai que não aceitava o seu comportamento. Desde criança que o pai o castigava.

Poucas vezes bateu, mas não costumava flexibilizar nos castigos e repreensões a ele. Não aceitava um filho indisciplinado.

Vivia dizendo que ele devia, por esse motivo, ter ‘puxado’ à família da mãe.

Envergonhava-se do filho e evitava falar dele para os amigos.

Não lhe dirigia a palavra em casa e, quando precisava, o fazia através da mulher. Desde muito tempo que não havia diálogo entre eles. Eram dois estranhos vivendo sob o mesmo teto.

Um dia, veio a saber que seu filho fora acusado de furtar um aparelho de som do salão de festas do prédio. Isso o fez ficar colérico. Nesse dia teve uma discussão tão intensa com ele que se sentiu mal a ponto de precisar ser hospitalizado por suspeita de enfarto. Seu filho negara, mas ele insistia que ele o desonrara sendo marginal e que seria melhor para ambos que saísse daquela casa. O rapaz foi morar na casa de uma tia, irmã de sua mãe.

Já na casa da tia foi aconselhado a procurar um emprego e procurar viver sua vida dentro do que era possível. Assim fez.

Começou a trabalhar e já pensava em completar seus estudos.

Após alguns dias descobriu-se que o furto foi de autoria de um antigo empregado que estivera no prédio naquele dia.

Ao saber disso o pai procurou o filho, o qual não mais quis voltar para casa. Soube-se depois que o rapaz, bem empregado, alugara um pequeno imóvel no qual passou a morar só.



A psiquê humana se configura como um sistema de vasos comunicantes. A vontade do Espírito interfere em seu dinamismo da mesma forma que os estímulos externos lhe alcançam. Ela é suscetível aos estímulos emocionais que lhe chegam no seu campo de percepção. Acresce, ainda, o fato de que seus conteúdos não se encontram estáticos, pois estão em constante ebulição, independentes de estímulos externos. Não se pode pensar numa psiquê parada.

Quando se tenta influenciar alguém com determinadas recomendações comportamentais certamente se atingirá algum núcleo perispiritual que promoverá reações de acordo com as experiências ali armazenadas. Quando se tenta ser, por exemplo, muito rígido, poder-se-á obter reações, as quais, de um lado, dependendo do conteúdo dos núcleos atingidos, poderá promover efeito contrário, isto é, rebeldia. De outro lado, poderão promover reações que, ao alcançarem o núcleo perispiritual correspondente, gerem dependência e submissão excessivas.

A rigidez de valores e atitudes denota um grande medo do desconhecido, do inesperado. O rígido é, no seu inconsciente, um apavorado. Por não saber lidar com conteúdos muito desafiadores a seus valores rígidos, defende-se na rigidez, que se torna então seu porto seguro e o ponto a partir do qual se baseia para fundamentar suas posturas e decisões. A necessidade de muitas regras ortodoxas para guiar a própria vida e a dos outros reflete uma ilegalidade oculta no inconsciente. Para não reconhecer as próprias falhas morais elege um código de rígidos valores na consciência, o qual serve de balizador seguro na vida.

O ser humano possui uma psicologia reencarnatória que o torna imprevisível e criativo. Em face dos conteúdos emocionais dos núcleos reencarnatórios, adquiridos nas vidas sucessivas, a melhor maneira de atingi-los sem que gerem prejuízos à evolução espiritual, é através da amorosidade. Quanto mais amor desinteressado e que objetive a felicidade do outro se coloque na educação que se dê, melhores serão suas reações e seu aprendizado.



Pais rígidos muitas vezes geram filhos que desejam reagir à tensão a que eram submetidos enquanto com eles conviviam. Essa rigidez muitas vezes é responsável pelo complexo de culpa que se instala nos filhos quando tomam alguma atitude que considerem que seria recriminada pelos pais.

É comum vêem-se filhos de pais rígidos em atitudes socialmente inadequadas por força da necessidade de se verem livres dos limites exageradamente impostos por eles.

Os pais rígidos que geralmente se afastam afetivamente de seus filhos favorecem a transformação deles em pessoas, de um lado emocionalmente carentes, e do outro com dificuldades em estabelecer envolvimentos afetivos maduros.

Pelo excesso de justiça que costumam aplicar, não flexibilizando quanto ao comportamento de seus filhos, acabam por se tornar tiranos e, por esse motivo, odiados. Trazem, em sua consciência, um senso de dever que extrapola os limites do aceitável e se tornam verdadeiros algozes de seus filhos.

A maioria assim age por receio de perder o controle que eles mesmos não conseguem consigo, caso agissem da forma como condenam. Querem controlar os outros por não saberem como fazê-lo consigo próprios. São déspotas por natureza e descontam suas raivas e incompreensões do passado naqueles a quem têm o dever de amar.

São pessoas frustradas, pois desejam a liberdade e não conseguem, impondo aos filhos os freios a que se submetem. São espíritos infelizes.



“Deixa por enquanto, porque assim nos convém cumprir toda a justiça.”36

O Cristo, embora a ninguém tivesse batizado, flexibilizou e se permitiu sê-lo por João. Num gesto de grandeza e com muito senso de oportunidade, admitiu que assim se fizesse para que sua tarefa tivesse êxito.

Quantas vezes, por falta de flexibilização, perdemos a oportunidade de usufruir um bem, de estar com alguém, de fazer algo e que mais adiante nos arrependemos por não termos feito?

Quantas vezes nosso orgulho falou mais alto e deixamos de tomar atitudes por inflexibilidade e rigidez a normas que sempre quiséramos transgredir? Quantas vezes impomos aos outros comportamentos que nunca gostaríamos que nos impusessem? A quantas pessoas impomos regras que, fora de nossos olhos, sabíamos que seriam desobedecidas?

A não rigidez é também uma faceta das leis de Deus quando é o amor que deve prevalecer. Nós criamos um Deus à nossa imagem e semelhança, com características muito humanas e, portanto, inferiores. Deus é amor e misericórdia.

O Cristo nos ensina a flexibilizar para que a leveza faça parte de nossas atitudes para com a Vida.

Condescender com os equívocos do próximo é permitir-se experimentar a misericórdia de Deus.

Imaginar que a mensagem do Cristo é rígida, é transformá-la em uma doutrina militar que atende apenas a mentes que necessitam da rigidez em tempos de guerra. O que ele pregava era a simplicidade e o amor nas atitudes.
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