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 Centro Espírita e Afeto

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VICTOR PASSOS
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MensagemAssunto: Centro Espírita e Afeto   Qui Mar 06, 2008 11:28 am

Centro Espírita e Afeto

Como o centro espírita pode ajudar no fortalecimento de laços de amor entre seus integrantes? Como pode auxiliar na dilatação da sensibilidade?



Capítulo 9

Centro Espírita e Afeto



“Findando-se o egoísmo no sentimento do interesse pessoal, bem difícil parece extirpá-lo inteiramente do coração humano. Chega-se-á a consegui-lo”

“A medida que os homens se instruem acerca das coisas espirituais, menos valor dão às coisas materiais. Depois, necessário é que se reformem as instituições humanas que o entretém e excitam. Isso depende da educação.”

O Livro dos Espíritos — questão 914



O afeto, entendido como nutrição espiritual insubstituível e essencial, sempre será preventivo e profilático em todas as fases da vida. Entretanto, para o amadurecimento integral do ser, inicia-se uma etapa de vivência em que a vida exigirá maior soma de doação em contraposição às contínuas expectativas de ser amado.

O centro espírita, nesse ínterim, pode oportunizar a valorosa e preenchedora experiência do Amor auxiliando o homem na reeducação de suas tendências, no conhecimento de si, no exercício da solidariedade material e relacional e na supressão do personalismo, que permitirá o potencial afetivo dirigido a realizações nobres e gratificantes.

Caridade! O melhor exercício para a sensibilidade.

Atividades cooperativas e solidárias realizadas em ambiente de bem-estar moral e espiritual serão fortes estímulos à força “pulsional” do coração, muitas vezes aprisionada pelas traumáticas lições sócio-afetivas da presente existência, nas quais o autoritarismo e o medo foram os instrumentos pedagógicos limitantes, provocando relações artificiais sob a constrição das “tiranias do coração”, em larga escala adquiridas na infância.

Na casa espírita devemos encontrar esse espaço para “ser”, já que a sociedade, em função do “ter”, vem bloqueando os valores pessoais e as potências da alma. Será que já imaginamos o centro espírita como uma “praça” de convivência ou um núcleo formador da família espiritual pelos vínculos do coração?

Precisamos dar encanto ao ambiente espírita, reinventar sua proficiência.

Reflitamos na fala do Espírito Verdade acima. “Preciso é reformar as instituições que entretêm o egoísmo”.

Grupos sadios não devem ser conduzidos como um ‘todo uniforme”, passivamente e regidos por diretrizes somente aprovadas pelos seus líderes, guardando semelhança com as envelhecidas estruturas religiosas.

A pedagogia do afeto é abertura para a riqueza dos sentidos individuais sem o personalismo dos desejos superiores, dos sonhos de crescimento moral, através dos quais o processo educativo será mais efetivo. A própria construção do saber espírita está fortemente vinculada às idiossincrasias, à diversidade interpretativa, com as quais enxergamos novos ângulos e exploramos com mais profundidade as temáticas de estudo.

Precisamos assumir para nós as responsabilidades da hora, e declarar com transparência e respeito quais são as emergências em nossas realizações espirituais.

É incoerente a realidade atual que envolve a casa doutrinária! Tanta profundidade filosófica em favor das carências humanas, verdadeiro celeiro de recursos para o “ser” integral e, no entanto, com uma estrutura deficiente no que tange a dar suporte e assessoria a seus componentes, quando o assunto é a vida interior e os esforços na luta auto-educativa.

Enquanto isso o trabalhador sofre dores psicológicas e emocionais sem revelar, ou sem essa chance de as revelar. Face a essa carência de respostas e horizontes, quando não se alcança o mínimo para prosseguir, penetra no desestímulo e o abandono dos ideais.

Além disso, freqüentemente, busca-se enquadrar as dificuldades humanas nos domínios da obsessão e de anteriores existências, alimentando imaginações férteis em mentes menos maduras, gerando um fanatismo sutil e incentivador de atavismos, negando o presente e deslocando a realidade para o passado e a vida espiritual.

Para agravar ainda mais, em núcleos diversos, instala-se um sistema de vigília da conduta alheia premiando as cobranças e atiçando os melindres em quase completo descaso com as limitações e fragilidades alheias. Impera o egoísmo.

O resultado final de tudo isso é a perda dos frutos do Espiritismo no auto-conhecimento, no fracasso dos relacionamentos nos grupos de atividade, a repressão da sombra interior e o quase estacionamento no crescimento pessoal.

Não vivamos de lamentações e labutemos para mudar esse panorama existente em expressiva parcela de nossa seara.

Como o centro espírita pode ajudar no fortalecimento de laços de amor entre seus integrantes? Como pode auxiliar na dilatação da sensibilidade?

Vejamos alguns pontos que desenvolveremos no transcorrer de Laços de Afeto que constituem indicadores de qualidade das equipes doutrinárias:

- Motivar o espírito de equipe.

- Valorizar a capacidade cooperativa de qualquer pessoa.

- Promover através da delegação, criando o policentrismo sistêmico.

- Investir na capacitação do trabalhador como pessoa e ser social.

- Ensejar realizações específicas para a revitalização do afeto no grupo.

Valorosa será a contribuição da casa doutrinária que facilitar a seus participantes a reflexão, a instrução e os relacionamentos responsáveis, auxiliando o homem atordoado e infeliz da atualidade a assumir um compromisso consciente com a melhora de si mesmo através da reeducação dos sentimentos. A proposta da transformação íntima encontra nesse quesito do coração o seu ponto essencial para as mudanças de profundidade, já que o motivo causador da atual condição espiritual desse homem atordoado deve-se, acima de tudo, aos desvios afetivos de outrora, que sedimentaram reações emocionais destoantes com o sentimento de Amor autêntico, fonte de saúde e vitalidade para “ser”.
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